Dia 1 · 30 de setembro
O futuro começou em Porto Alegre
No primeiro dia do CONGREGARH, o palco principal foi do medo de dar certo ao etarismo, com respiração, inclusão e inteligência artificial no caminho. A plateia nomeou emoções, respirou junto e saiu com a pergunta do tema: quem imagina o futuro?
A abertura
Dança, auditório cheio e uma pergunta

O dia começou com dança no palco principal e o auditório cheio, na 19ª edição do CONGREGARH. Pedro Fagherazzi, presidente da ABRH-RS, lembrou que quem trabalha com pessoas vê o futuro começar em situações bem conhecidas. Rosimeri Dalagnol Severo falou de um evento construído por muitas mãos. E Lu Beretta, curadora ao lado de Ali Silveira, destacou que se vivia ali algo que um dia existiu na imaginação de alguém.
Para Ali, a tecnologia veio para auxiliar, não para substituir. Para Lu, uma máquina pode participar de uma decisão, mas não está na pele de quem será impactado por ela. Rosimeri desejou três dias de grandes conexões e de troca de experiências.
“Imaginar o futuro é também criar as condições para que mais pessoas possam participar dele”

Pedro Fagherazzi
Presidente da ABRH-RS

Rosimeri Dalagnol Severo
Presidente do Conselho Deliberativo da ABRH-RS

Ali Silveira
Curadoria

Lu Beretta
Curadoria
Autossabotagem
91% já sentiram medo de dar certo

A jornalista Natália Sousa, autora do livro “Medo de dar certo”, abriu o palco com uma pesquisa feita com mais de 100 pessoas: 91% já sentiram receio intenso diante da possibilidade de algo dar certo, e 70% tiveram vergonha de falar disso. Contou a história do pai, que sonhava ser jogador de futebol: aprovado no exame médico, relatou na consulta um acidente da infância e acabou não sendo aceito.

Natália Sousa
“Nem sempre o medo é um sinal de estarmos despreparados, mas é só um sinal de que estamos lidando com a grandiosidade dos nossos sonhos”
Maestria emocional
Primeiro, dizer o que se sente

Identificar a emoção do momento e contar a quem estava ao lado. Com esse convite, Daniel Newby, cofundador da Dignity Inc., abriu a palestra sobre maestria emocional. Para ele, é preciso reconhecer, nomear e regular as próprias emoções. Compreender o que se sente, defendeu, é um passo para melhorar relações, tomar decisões e lidar com resistência e mudança nas organizações.
Na entrevista, a coach Marta Magnus, sócia-fundadora da Voal, aprofundou o papel das emoções nas relações profissionais: expressar os sentimentos de maneira adequada e compreender as emoções dos outros. A sessão tratou ainda de riscos psicossociais nas empresas e do conceito de dignidade.
“As emoções impulsionam o comportamento”

Daniel Newby

Marta Magnus
Entrevista

Respiração
A plateia respirou junto

A palestra terminou com a plateia em exercícios de respiração, conduzidos por Fera Carvalho Leite. Antes, em “DrogARia”, a atriz e especialista em neurociência da respiração aplicada à saúde mental explicou como o ato de respirar se liga ao sistema nervoso autônomo. O sistema simpático está associado aos estados de alerta e emergência. O parassimpático atua nos momentos de descanso e contribui para o sono e a criatividade.

Fera Carvalho Leite
“A respiração é automática para garantir nossa sobrevivência, mas ela é voluntária e consciente para permitir nossa transformação”
Marcas gaúchas
Em comum, o não óbvio

Mais de 4 mil pessoas trabalham diretamente no Planeta Atlântida, evento que existe há 30 anos. A conta é de Caroline Torma, diretora-executiva de Marketing e Negócios Entretenimento e TV do Grupo RBS, que lidera o projeto desde 2022. Ela falou dos desafios de assumi-lo e da construção coletiva das soluções.
Marcus Rossi, fundador e CEO da Gramado Summit, criou o evento pela vontade de empreender sem deixar Gramado, onde nasceu e cresceu. Contou que o via como hobby até se dar conta de que tinha virado um negócio. Na mediação, Ali Silveira abriu a conversa com o que, para ela, aproxima os dois projetos: o não óbvio.
“Só existe futuro no momento em que as pessoas se conectam, trocam ideias e encontram um meio do caminho para fazer algo acontecer”

Marcus Rossi

Caroline Torma

Ali Silveira
Mediação
Inclusão
Foi à Justiça para se formar médica

Primeira médica tetraplégica do Brasil, a Dra. Daniela Bortman sofreu o acidente aos 23 anos, em pleno curso de Medicina, e foi à Justiça para poder concluir a graduação. Hoje especialista em Medicina do Trabalho, falou sobre a construção de um futuro inclusivo. Contou que chegou a pensar em desistir da carreira. O pai a incentivou a continuar a faculdade e a buscar lugar no mercado de trabalho. Das organizações, reforçou a responsabilidade na construção de ambientes mais inclusivos.

Dra. Daniela Bortman
“Quem trabalha com gente não pode se dar ao luxo de não ser inclusivo”
Inteligência artificial
Automatizar não é novidade

Automatizar processos não é novidade: está no mundo do trabalho desde a Revolução Industrial. Quem lembrou foi Carolina Ferreira, diretora de Pessoas, Marketing e ESG da Alelo. Para ela, a diferença está no nível de envolvimento das pessoas com a transformação atual.
Fernanda Smith Bastian Brunetto, VP de Recursos Humanos Global da ANDRITZ Hydropower, vê de forma positiva a relação entre profissionais e tecnologia. As duas compartilharam a experiência de implementar a digitalização e ferramentas de inteligência artificial em suas organizações. Discutiram os impactos sobre o trabalho e a gestão de pessoas. A mediação foi de Rafael Martins, CEO do Share e colunista de tecnologia e IA na Zero Hora.
“Que a gente possa falar que nós seremos melhores com a IA”

Carolina Ferreira

Fernanda Smith Bastian Brunetto

Rafael Martins
Mediação
Etarismo
O que as empresas ainda não absorveram

As carreiras estão mais longevas e as pessoas permanecem por mais tempo no mercado de trabalho. A constatação é de Fran Winandy, autora do livro “Etarismo, um novo nome para um velho preconceito”, no painel que fechou o dia no palco principal. A conversa tratou do envelhecimento da força de trabalho e dos impactos do etarismo, especialmente sobre as mulheres.
Fera Carvalho Leite chamou atenção para os efeitos sociais e emocionais da exclusão: quem é invalidado pela idade sente solidão, não pertencimento e medo. A mediação foi da jornalista Alice Urbim. No fim, uma reflexão sobre valorizar profissionais 60+ nas organizações e promover a convivência entre gerações no ambiente de trabalho.
“50 anos não é velho, não é tarde. Só que as empresas ainda não absorveram isso”

Fran Winandy

Fera Carvalho Leite

Alice Urbim
Mediação
Pelos corredores
Reencontros, arenas e ExpoCongregarh









A cobertura continua
O Dia 2 está na aba ao lado
O segundo dia do CONGREGARH, sessão por sessão.
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Dia 2 · 1º de outubro
O futuro tem pressa
No segundo dia do CONGREGARH, o palco principal fez contas com o tempo: um estado dez anos mais velho que o país, um milhão de carros que passou de 13 anos para dois meses. Depois do almoço veio a pausa, e a tarde olhou para quem vai criar o futuro.
Economia e trabalho
Juros mais altos, desemprego na mínima

André Nunes de Nunes, economista-chefe do Sicredi, abriu o palco principal com dados: juros estruturalmente mais altos nos próximos anos, o Brasil percebido no exterior como fornecedor estável, a menor taxa de desemprego da série histórica e recorde na taxa de ocupação. O desafio que apontou está na idade. Com a população envelhecendo, é preciso manter pessoas mais velhas por mais tempo no mercado de trabalho. E o Rio Grande do Sul, disse, precisa estar à frente na busca por soluções.

André Nunes de Nunes
“O Rio Grande do Sul é 10 anos mais velho do que o Brasil em pirâmide etária”
Velocidade
De 13 anos para dois meses

Treze anos para chegar ao primeiro milhão de carros produzidos. Dois meses para repetir a marca. Com a conta da BYD, fabricante de veículos elétricos em que é head de Comunicação, Henri Karam mostrou a velocidade com que a tecnologia avança: segundo ele, organizações que aprendem a lidar com novas tecnologias evoluem cada vez mais rápido. Destacou o repertório como ferramenta de decisão. Sobre IA, lembrou que as ferramentas partem de conteúdo que já existe, e por isso gerar conhecimento continua necessário.

Henri Karam
“O repertório ajuda as pessoas a reconhecer os sinais e a cultura ajuda a empresa a agir sobre eles”
Accountability
A parte de cada um no problema

Quando a dor é sua, é preciso buscar uma solução. Quando você faz parte do problema, também faz parte da solução. Sobre esses dois pilares, a psicóloga Julia Gianzanti, especialista em liderança e cultura, apresentou accountability: a capacidade de responder pelos próprios atos e assumir responsabilidade diante das situações. A proposta é olhar para a sua participação na origem dos problemas antes de apontar para os outros.

Julia Gianzanti
“Você não muda o outro, mas muda a forma que você influencia e impacta as pessoas”
IA e humanidade
Agora. Novo. Próximo

Ed Soo Hoo, CTO da Lenovo, fechou a manhã recusando duas leituras da inteligência artificial: a da guerra e a da simples substituição de pessoas. O que está em jogo, para ele, é aprender a controlar e gerenciar melhor essas ferramentas. Deixou também um jeito de pensar a mudança, na empresa e na vida pessoal: acelerar o que já existe, construir o novo, criar o próximo.

Ed Soo Hoo
A palestra
IA, Ética e Humanidade

Terapia do som
Uma pausa em meio ao excesso

A tarde começou com exercícios práticos e uma imersão sonora. Rafael Cameron, músico formado pela Berklee College of Music e fundador da Damaru Terapia Sonora, propôs espaços de pausa em meio ao excesso de informações e mostrou como diferentes estímulos sonoros podem influenciar a forma como as pessoas percebem o ambiente e respondem a ele. Pensar o futuro, disse, exige flexibilidade cognitiva e imaginação.

Rafael Cameron
A palestra
Pausa para ser: experiência com técnicas de terapia do som
Engajamento
Habilitar pessoas em vez de controlar

No Brasil, 32% dos trabalhadores estão comprometidos com o trabalho. O dado foi levado ao palco por Claudio Lopez M., diretor executivo do Centro de Experiência e Serviços da Universidad Adolfo Ibáñez e sócio da HumanX. Para ele, a dificuldade maior está em como pessoas e empresas aprendem a lidar com as novas ferramentas, e as organizações precisam superar práticas que priorizam o controle em vez de habilitar pessoas.

Claudio Lopez M.
“Isso é um número muito baixo, apesar de ser um pouco acima da média na América Latina, que é de 30% e, no Chile, de 19%”
Dupla inteligência
O que não se delega à máquina

Competências humanas básicas estão difíceis de encontrar para 80% dos profissionais de RH, segundo dados apresentados pela futurista Letícia Setembro, fundadora da Seek Futures. Sobre a IA, ela falou da chamada dupla inteligência: além de saber usar as ferramentas, pensar criticamente ao delegar tarefas às máquinas. Decisões que envolvem negociação, disse, não podem ser simplesmente transferidas para a tecnologia. Para líderes, apontou três habilidades: autorregulação, autopercepção e inteligência temporal.

Letícia Setembro
“O futuro do trabalho começa no estado de quem vai criá-lo”
Sensibilidade e arte
Onde o manual de gestão não chega

Os manuais tradicionais de gestão não bastam para os desafios atuais. A avaliação é de Soraia Schutel, especialista em inovação, liderança e sustentabilidade, que aproximou liderança, filosofia e arte. Para ela, o futuro pode ser digital, mas precisa continuar sendo humano, e por isso criatividade, imaginação, sonho, sensibilidade e autoconhecimento ganham importância. A cultura organizacional, disse, também se constrói a partir de rituais, e a arte recupera uma linguagem simbólica fundamental para a experiência humana.

Soraia Schutel
A palestra
Sensibilidade e arte para liderar
Liderança na incerteza
Desde 2020, apagando incêndios

Desde 2020, as empresas vivem uma sequência de crises, num movimento permanente de apagar incêndios. A leitura é de Giuliano Fornazier, diretor da FIERGS e presidente do Comitê de Gestão de Pessoas da Abicalçados. Apontou o efeito da pejotização e das plataformas de aplicativos sobre a disponibilidade de profissionais para a indústria. As empresas, disse, deixam de faturar pela falta de mão de obra.
Um hospital público na Baixada Santista. O Hospital São Lucas da PUCRS na pandemia. A Unimed Porto Alegre nas enchentes do Rio Grande do Sul. Leandro Firme, CEO da Unimed Porto Alegre, percorreu a própria trajetória para discutir como lidar com o imprevisível. Defendeu a escuta ativa e ambientes que permitam equilíbrio e descompressão. A mediação foi da psicóloga e jornalista Sabrina Thomazi.
“Em momentos de incerteza é preciso termos clareza para onde vamos”

Giuliano Fornazier

Leandro Firme

Sabrina Thomazi
Mediação
Pelos corredores
Entre uma palestra e outra









A cobertura continua
O Dia 3 está na aba ao lado
O último dia do CONGREGARH, sessão por sessão.
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Dia 3 · 2 de outubro
Um futuro humano
No último dia do CONGREGARH, o palco principal falou de gente: da diversidade que vira prática ao que diferencia as pessoas das máquinas, com o medo, Brasil e Coreia do Sul, liderança e human skills no caminho. No encerramento, o show do Papas da Língua.
Diversidade
Da diversidade à prática

O painel que abriu o último dia no palco principal tratou da importância de ambientes de trabalho mais diversos e dos caminhos para que as organizações transformem a diversidade em prática. Para Marcelo Pirani, professor dos cursos de Alta Gestão na FGV e CEO da Cenarium, construir esses ambientes exige disposição para compreender o outro a partir da perspectiva dele, e não daquela que gostaríamos que ele tivesse.
Daniele Lopes, líder de Inovação e Estratégia na SLC Agrícola, falou de pertencimento: pertencer de verdade a uma instituição passa por se sentir à vontade para levar a própria visão aos processos. A mediação foi de Inês Amaro, diretora de Diversidade da ABRH-RS.
“Não adianta trazer a diversidade se não fomentar a segurança para as pessoas se sentirem à vontade para contribuir”

Marcelo Pirani

Daniele Lopes

Inês Amaro
Mediação
Emoções e IA
Toda emoção é um dado

As emoções funcionam como informações sobre o próprio estado humano. Desse ponto partiu o filósofo e psicanalista Emanuel Aragão para pensar o medo num cenário marcado pelo avanço da inteligência artificial. Para ele, as máquinas nunca morrem e, por isso, não se importam com estar indo bem ou mal. As pessoas se importam com a finitude e tentam fazer o seu melhor. O medo, disse, impulsiona a busca por alternativas e estimula a capacidade de imaginar soluções.

Emanuel Aragão
“O medo é essencial para que a gente se mova”
Inteligência cultural
Prevenir ou reparar

A estrategista e pensadora Hui Jin Park apresentou cinco diferenças na forma como brasileiros e sul-coreanos se relacionam com o mundo. Na Coreia do Sul há uma maior valorização do coletivo; no Brasil prevalece uma postura mais individualista. Diante das situações, os sul-coreanos são mais preventivos, e os brasileiros tendem a ser mais reparativos. Aqui a comunicação é mais vocal e verbal; lá, passa com mais frequência por gestos. Propôs refletir sobre um possível ponto de equilíbrio entre essas formas de perceber o mundo.

Hui Jin Park
A palestra
Brasil e Coreia do Sul: Contrastes e Convergências da Inteligência Cultural
Ambiente de trabalho
Liderança primeiro, lucro depois

Primeiro, a liderança, a pedra fundamental. Depois, a experiência, a cultura e a performance, alinhada a lucro e produtividade. Essa é a ordem, segundo Cauê Oliveira, diretor do Great Place to Work Brasil, para construir um ambiente de trabalho sustentável. Um erro comum, disse, é inverter a ordem e priorizar só o lucro e a produtividade: os resultados tendem a ser consequência do engajamento das equipes, construído com boa liderança, experiências positivas e uma cultura consistente.

Cauê Oliveira
“A missão do GPTW é construir uma sociedade melhor, transformando cada organização em um great place to work for all”
Human skills
Habilidades acima dos títulos

O futuro do trabalho exige mais do que domínio técnico. Para Borja Castelar, ex-diretor do LinkedIn na Europa e América Latina, habilidades e competências passam a ter peso cada vez maior em relação aos títulos formais. Defendeu a mentalidade de eterno aprendiz e caminhos para desenvolver human skills: o teatro para a comunicação, a música e a pintura para a criatividade. Sobre a inteligência artificial, destacou que a qualidade das respostas depende de fazer boas perguntas e de dar contexto.

Borja Castelar
“Quem triunfa não é quem melhor sabe, mas quem melhor comunica”
Cultura e trabalho
Legitimar o não saber

A cultura funciona como uma lente para interpretar o mundo, e as organizações vivem um momento inédito, com diferentes gerações no mesmo ambiente profissional. A leitura é do antropólogo Michel Alcoforado, fundador do Grupo Consumoteca e autor de “Coisa de Rico”. Entre os comportamentos que precisam ser revistos, apontou a terceirização do pensamento para a inteligência artificial, a confusão entre conforto e colaboração e a punição do erro. Propôs legitimar o “não saber”.

Michel Alcoforado
“Os colaboradores precisam ressignificar sua relação com o trabalho, resgatar o sentido de suas atividades e construir novas formas de pertencimento”

Pelos corredores
O último dia na ExpoCongregarh









Encerramento
Três dias, uma pergunta
Palco principal, arenas e ExpoCongregarh em torno do tema desta edição: quem imagina o futuro? A cobertura dos três dias fica aqui, sessão por sessão.
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